Madame Eva Nº3

O terceiro número de Madame Eva veio à luz com permanência e evolução.   À capa, as três cores de sempre carimbadas com três distintos tipos geométricos, elaborados pela agência publicitária Raquel-Raquel, a representar a armadilha da imperfeita serialização.   No segundo plano, impressa a figura obscura de um homem sentado observa tudo, nu, com certo ar de desdém: uma alusão, sem dúvida, à vaidade produtiva que domina tantos artistas, iludidos pelo sonho da originalidade.

Em suas primeiras páginas, o texto Epígrafe ao Anjo Ácido homenageia Fernando Bandeira Fortuna, amigo e consultor de Eva desde seus primórdios, a quem o terceiro número é dedicado.   A ilustração do texto, feita pelo próprio autor, Aldo Neto, veio, conforme seu pedido, com a mensagem mal criptografada “E. Pra Fernanda” no lugar do crédito da imagem, uma maneira sutil do autor de dedicar também à Fernanda, namorada do seu homônimo, a Epígrafe da página 6.

O poema Cidade-jardim, assinado por Dario Silva, aparece como evidência de que Madame Eva efetivamente realiza um de seus objetivos: “aproximar a literatura do cotidiano das cidades”.   No caso, Brasília, a cidade modernista de onde escreve o poeta, para quem ela se apresenta como “algo distante materialmente dos muitos olhares cotidianos que nela apenas transitam (…) como uma peça de roupa feita para ser usada, mas cuja utilidade resume-se a contemplação.”.   Como uma meia-calça?  O leitor saberá dizer…

Visualmente, o terceiro número teve três pontos altos que, em sequência, formam o miolo central da revista.   Começando com os três poemas de Leila Saads, 40, 41 e 42, ilustrados pelo talento de Pamela Araújo.   Com um estilo inconfundível, a artista consegue evocar o vazio refletido nos versos de Leila com dois desenhos minimalistas, em que se vê ao mesmo tempo o eu lírico dos poemas diante da escuridão de seu entorno e de sua sombra.   Os editores lamentaram, pela primeira vez, não poderem levar o detalhe das cores de Pamela Araújo às páginas de Eva.

O texto seguinte é assinado por João Henrique Nascimento Dias, e ilustrado com maestria por Júlia Paixão.   A sutileza do pontilhado, a formar dois corpos, casa, harmonicamente, com o texto, em que os personagens se tocam e se aproximam fisicamente, mas mantêm a distância da alma e do coração.   Com a diagramação levando o desenho bem no meio da página, o resultado observado é de uma perfeita sincronia entre o autor e a artista, ironicamente, ausente entre os personagens do texto.

A mesma sincronia entre autor e artista se encontra nas folhas seguintes, com o texto de Lucas Anderson, Últimos Passos, ilustrado por seu amigo, o cartunista Jeremias Ferreira.   A gravidade da prosa de Lucas é levada pela figura preta dos desenhos de Jeremias, que faz do protagonista do conto um vulto negro, anônimo, que parece ser conduzido pelas circunstâncias que o envolvem.   Em nítido paralelo aos quatorze Passos da Paixão de Cristo, Lucas e Jeremias assinam uma intensa parceria que resultou nas páginas mais gráficas de Madame, até então.

A fechar o terceiro número, os editores registraram um acerto e um equívoco, porque se por um lado as Palavras Cruzadas Tautológicas vieram com graves erros, que atrasaram a disponibilização da revista online, o sucesso das Notícias do Éden foi inegável!   A ideia veio do editor Pedro de Pina Viana, uma forma de sanar uma das maiores críticas dos leitores de Eva: a ausência de informações sobre os autores, ilustradores e personagens da revista.   Por isso, pode-se dizer que o Notícias do Éden é como que o antecessor deste site, que busca, justamente isso: aproximar e informar os leitores da Madame.

Clique abaixo e confira na íntegra o conteúdo do terceiro número de Madame Eva, Revista de Tautologias.

 

Madame Eva Nº3

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